Uma Horta pra Chamar de Sua

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O baixo consumo de frutas, legumes e verduras (FLV) é fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). 

O consumo destes grupos de alimentos é de grande importância, já que apresentam alta densidade de nutrientes, sendo fonte de micronutrientes (vitaminas e minerais), fibras e compostos bioativos. Além de saborosos apresentam baixa densidade energética (pouca caloria por volume de alimento consumido), o que contribui no controle e manutenção do peso. 

… Comer FLV é ingerir saúde! 

E qual seria a recomendação diária de consumo destes alimentos? A Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendam um consumo mínimo de FLV de 400 g/dia ou entre 6% a 7% das calorias totais de uma dieta de 2.300 Kcal diárias, o que equivale em média a 5 porções de FLV/dia.

Porém, o que os estudos têm demonstrado é que o consumo de FLV não atinge a essa recomendação.

A OMS avaliou 14 regiões geográficas do planeta, abrangendo Europa, Mediterrâneo Oriental, África, América, Ásia e Pacífico Ocidental e verificou que em todas elas há baixo consumo de FLV.

Aqui no Brasil, dados da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), entre os períodos compreendidos entre 2002/2003 e 2008/2009 , demonstraram um discreto aumento na participação do grupo das frutas (de 4,2% para 4,6%), legumes e verduras (de 3,0% para 3,3%), porém abaixo das recomendações preconizadas pela FAO/OMS.

Os estudos são evidentes em comprovar o baixo consumo de FLV. 

Entre os vários fatores que podem contribuir com esta realidade nada saborosa encontram-se: os aspectos econômicos, a disponibilidade local, a habilidade do indivíduo em fazer escolhas saudáveis, aspectos culturais, a praticidade e outros.
 

Agora imagine poder saborear uma alimentação saudável sem sair de casa? Com apenas um clique é possível ter sua própria horta e o melhor, tudo organicamente delicioso.

A ideia vem do norte da Itália (entre Milão e Turim) e por lá o consumo de FLV com certeza já se encontra dentro ou até mais das recomendações da OMS.

Uma empresa, a  Le Verdure Del Mio Orto (As verduras da minha horta) vende plantações pela internet, uma espécie de condomínio de hortas. O serviço é simples: basta selecionar o tamanho do terreno, o número de pessoas que irá saborear do cultivo e escolher entre 40 opções quais os legumes gostaria de plantar. Assim que o usuário formatar o projeto e efetuar o pagamento, a empresa inicia o cultivo.

O melhor ainda estar por vir…. Quando as hortaliças crescem, são recolhidas e entregues ao dono da plantação. As entregas são realizadas semanalmente. Uma horta de 30 metros quadrados, ideal para até duas pessoas, sai por 850 euros ao ano. O usuário pode comprar extras como fotos do local, 49 euros cada, e até mesmo um espantalho com sua própria foto para enfeitar o terreno, 39 euros cada.

Uma ideia pra lá de saborosa e repleta de saúde!

 

 

 

 

Chefes Celebridades e suas Receitas: Saúde e/ou Sabor?

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A gastronomia vem ganhando cada vez mais lugar de destaque no meio midiático e, em consequência, caindo literalmente, no gosto brasileiro.

A palavra gastronomia deriva do grego antigo e remete à estômago e conhecimento. É um ramo delicioso que abrange a culinária, as bebidas, os materiais utilizados na alimentação, e todos os aspectos culturais que se encontrem associados.

Visa o prazer por meio do estímulo dos sentidos. Brinca-se com as cores, formas, texturas, sabores e outros aspectos. Todos juntos e misturados aguçam ainda mais a vontade de deliciar uma preparação.

A nutrição fica em segundo prato, ou melhor em segundo plano. Nem sempre existe uma preocupação em aliar sabor e saúde quando se prepara uma receita.

Diante desta saborosa mania gastronômica um estudo recente, realizado pela Food and Public Health, resolveu analisar as receitas de chefes britânicos famosos. Será que este mundo de gosto e sabor está recheado de possíveis preocupações à saúde, sendo motivo de atenção para a saúde pública?

Pois bem, vamos degustar!

O Preparo:

Os pesquisadores realizaram uma avaliação nutricional de 904 receitas entre 26 famosos, comparando-as com as diretrizes nacionais sobre alimentação saudável e ​​utilizando um Índice de Alimentação Saudável (IAS). A seleção incluiu diferentes preparações. As receitas foram escolhidas de maneira aleatória, baseando-se na literatura e nos sites. Foram analisadas em estudo cego, por meio de software de análise de dieta por três pesquisadores dietéticos treinados.

A Receita:

A energia total média a cada 100g analisadas foi de 200 calorias, o que corresponde a 28% da recomendação nutricional diária. Em relação aos macronutrientes, a proteína, os carboidratos totais e a gordura total por porção encontradas foi de: 25g, 44g e 31g, respectivamente, com diferenças significativas observadas entre os Chefs celebridades.

Entre os nutrientes que mais desandaram tem-se: o açúcar, o sal e a gordura saturada. O IAS foi negativo em 87% das receitas.

O estudo também comparou os valores nutricionais das receitas entre os gêneros e descobriram que as chefes mulheres produzem receitas com valores nutricionais inferiores aos homens.

Não se quer, de maneira alguma, desmerecer aqui a atividade tão saborosa que um chefe de cozinha realiza. Mas, devemos nos atentar às preparações realizadas, com o objetivo de criar uma consciência mais saudável, e assim fazer escolhas inteligentes.

O consumo diário de receitas como estas podem contribuir para o aumento do risco de doenças crônicas, entre elas, a obesidade.

Mais nutritivo seria se os chefes pudessem aliar saúde ao prato. Uma combinação perfeita!

Fica a deliciosa dica.

Fonte:

Jones et al. A Systematic Cross-Sectional Analysis of British Based Celebrity Chefs’ Recipes: Is There Cause for Public Health Concern? Food and Public Health 2013, 3(2): 100-110

2000 calorias

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De acordo com o Ministério da Saúde, uma dieta para indivíduos adultos, deve perfazer um total médio de 2000 calorias.

Esse valor calórico deve estar distribuído entre diferentes percentuais para cada macronutriente (carboidratos, proteínas e lipídeos).

Se somos o que comemos, será que você tem ideia de quanto 2000 calorias equivale?

A BuzzFeed elaborou um vídeo super bacana para ilustrar estes números calóricos. O video mostra diferentes alimentos e substitutos equivalentes!

Não é de se chocar que quatro porções gigantes de batatas fritas pode contemplar a quantidade total de calorias que deveríamos consumir ao dia!

Vale lembrar que, bons hábitos alimentares vão além de contagem de calorias, mas esta é uma maneira interessante de visualizar os números que vemos nos rótulos dos alimentos.

Deguste conscientemente o vídeo!

http://www.youtube.com/watch?v=rgaqwFPU7cc

Propagandas Engordativas

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As propagandas de alimentos tem sido apontadas como um dos principais fatores responsáveis por escolhas alimentares inadequadas da população que, consequentemente, acabam ocasionando problemas de saúde como a obesidade hipertensão, diabetes e, o incentivo ao consumo de álcool.

Um estudo realizado por Danielle Ferreira Rodrigues Monteiro, nutricionista, e minha ex-aluna do curso de nutrição, teve como objetivo analisar a influência da mídia televisiva na alimentação da população brasileira. Para a elaboração da análise, foi realizado a gravação da programação de uma emissora de canal aberto da cidade de São Paulo, durante o período de 19 de agosto a 02 de Setembro de 2011. O horário definido para a gravação aconteceu no período vespertino (15h00 às 17h00) e no período noturno (20h00 às 22h00). Foram considerados para a pesquisa apenas os comerciais de alimentos exibidos durante toda a programação estudada.

Dos 145 anúncios de produtos alimentícios veiculados, 34,5 % (N=50) estão no grupo da pirâmide alimentar representado por açúcares e doces e 19,3% (N=28) por gorduras, óleos totalizando assim 53,8% (n=78) do total da amostra. O segundo maior grupo foi representado pelo grupo de leites, queijos e iogurtes com 26,2% (n= 38).  O grupo de frutas e hortaliças ficou 2,7 % (n=4), enquanto que o  grupo das carnes, ovos e leguminosas ficaram com 1,4% (n=2) e o grupo de pães, cereais, arroz e massas representou apenas, 0,6% (n=1) da amostra total. Os demais comerciais se dividiram entre bebidas alcoólicas 12,4% (n=18) e suplementos alimentar infantil 2,7% (n=4).

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Há maior parte dos alimentos veiculados durante o período analisado foram alimentos fontes de gorduras, açúcar e bebidas alcoólica.

Isso só confirma o que estudos e pesquisas recentes relatam sobre a forte influência da mídia sobre o consumo alimentar.

O site “Prevention Institute” reforça ainda que:

  • A indústria de alimentos e bebidas gasta cerca de US $ 2 bilhões por ano no mercado destinado ao público infantil;
  • Crianças assistem a uma média de mais de 10  anúncios de alimentos relacionados a cada dia (quase 4.000 / ano), sendo que 98% delas é vista por crianças e focam em alimentos fonte de açúcar, gordura e sódio.

De acordo com o CDC, se as tendências atuais continuarem, um em cada três adultos norte-americanos serão portadores de diabetes até 2050.

Em 2030, os custos de saúde atribuíveis à má alimentação e ao sedentarismo poderão atingir mais de 860 bilhões de dólares, que seriam responsáveis ​​por 15-17% dos custos totais referentes à saúde.

Uma reflexão importante para garantir a redução dos riscos à doenças crônicas não transmissíveis e promover a saúde.

Fique ligado!

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O Comedor Competente

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O que o alimento representa para você?

Do ponto de vista da nutrição, alimento é toda substância (mineral, animal ou vegetal) dotada de nutrientes que têm a função de manter a integridade somática e desenvolver as atividades do organismo. E digo mais, todo “alimento é dotado de qualidades sensoriais (consistência, sabor, aroma), com certo apelo emocional que exercitam nosso apetite e encerram uma variedade de nutrientes, segundo sua composição química” (Sá, 1990).

Pelas palavras de Sá fica mais fácil entender a relação sentimental que temos com o alimento/comida. Há momentos de prazer, ódio, amor, gula, fome, … sensações que só nós podemos descrever, pois em cada um, aquele alimento, naquele determinado instante, exerce um sentimento distinto.

Assim, o ato de se alimentar é complexo, pois envolve não só os aspectos emocionais e sensoriais, mas também biológicos, nutricionais, comportamentais e econômicos.

Você já ouviu falar em “eating competence model” (modelo do comedor competente)?

Este modelo foi desenvolvido por uma nutricionista e terapeuta (Ellyn Satter) cujo objetivo é justamente entender o ato de comer.

A autora baseia-se na utilidade e eficácia dos processos biopsicossociais: a fome e a necessidade de sobreviver, o apetite e o desejo de recompensa subjetiva, a tendência biológica para manter o peso corporal preferido e estável.

Os “comedores competentes” cultivam atitudes alimentares e comportamentos positivos, confortáveis e flexíveis, com atitudes responsáveis e em sintonia com suas experiências internas e externas ao ato de comer. E sempre, como algo prazeroso e nutritivo.

O “comedor competente”, segundo Satter (2007) apresenta quatro critérios básicos:

1. a importância de se ter tempo para comer e apreciar o que se come;

2. a atitude positiva estabelecida sobre a alimentação e a comida;

3. o prazer em comer, privilegiando aquilo que gosta;

4. competências de regulação interna, ou seja, preste atenção às sensações de fome e saciedade para determinar o quanto comer.

Se quiser entender um pouco mais sobre o “Comedor Competente” clique e saboreie o artigo na íntegra.

Querida, Encolhi as Porções

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Sim, cada vez mais comemos mais. As porções aumentaram de tamanho ao longo dos anos e, às vezes nem percebemos o quanto isto pode interferir na nossa saúde.

Só um pequeno exemplo: você imagina o quanto você tem ingerido a mais de refrigerante, pipoca ou hambúrguer?

Pois bem, vejamos a figura acima. Ela nos mostra que as porções aumentaram exorbitantemente de tamanho. E olha que aqui estamos só nos referindo ao incremento calórico. Nem tocamos em outros nutrientes que acompanham o exagero: o aumento da quantidade de açúcar, sal e/ou gordura.

Agora peguemos o refrigerante “para cristo”, ou melhor para avaliação. Você tem ideia de quanto tempo teria que praticar de exercícios (aeróbios: bicicleta, natação, corrida)  para eliminar as 171 calorias de diferença? … Pense mais um pouco!

Aproximadamente 30 minutos de exercício aeróbio em intensidade moderada! Isso mesmo!

No momento do deleite a gente só pensa no ato de saborear. Mas, nos esquecemos que toda escolha gera consequências.

Foi pensando nisso que, no dia 19 de setembro de 2012, o Conselho de Saúde de NY aprovou a proposta do prefeito Michael Bloomberg, instituindo a redução dos tamanhos das bebidas açucaradas (refrigerantes, chás e outros líquidos). Um pequeno grande começo!

Todos os restaurantes e lanchonetes terão até seis meses para realizar tais modificações. As mudanças acontecem em bebidas que contenham acima de 16 onças, o equivalente a 473 ml.

Com esta ação pretende-se reduzir os índices e prevalências de obesidade e excesso de peso entre os Novaiorquinos, cuja proporção atual é de um indivíduo acima do peso para cada três na cidade.

Ações como esta são imprescindíveis no combate à obesidade e às doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, dislipidemias, doenças cardíacas, outras).

Pequenas grandes atitudes de peso!

Faça escolhas inteligentes. Sua saúde agradece!

Pirâmide Cinematográfica: Gênero Drama

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Filmes do gênero Drama, normalmente apresentam enredos recheados de conflitos onde os sentimentos e os sentidos se afloram.

Sim, existe relação entre o sentimento e o alimento. As emoções vividas, as experiências, cada sentimento pode ser nutrido por diferentes gostos e preferências alimentares.

Basta imaginar o que comemos quando estamos tristes, felizes, com raiva, com gula, com prazer ….

Será então que, em filmes do gênero drama, é possível presenciar cenas onde existe esta relação?

Foi pensando nisso que a minha ex-aluna Lilian Liebscher avaliou a influência cinematográfica no processo de alimentação por meio da construção de uma Pirâmide Alimentar.

O estudo foi realizado à partir da análise de 05 filmes do gênero Drama, tendo como critério a escolha daqueles que receberam Oscar nos último anos. Foram selecionados os filmes: Uma Mente Brilhante, Menina de Ouro, Crash – No Limite, O Leitor e Um Sonho Possível.

Para cada alimento em cena verificou-se o número de aparições e o tempo de exposição. Após a coleta desses dados os alimentos foram classificados em grupos baseados na Pirâmide Alimentar Brasileira onde à partir desse modelo obteve-se a Pirâmide Alimentar Cinematográfica do gênero drama.

Resultados: Dentre os grupos que compõem a Pirâmide Alimentar Cinematográfica, os alimentos que apareceram em maior número de aparições (25,93%) e maior frequência (24,59%), foi o grupo de “Bebidas Diversas”, composto por refrigerantes, sucos, café e chás, seguido pelo grupo das bebidas alcóolicas e o consumo de água.

Conclusão: Constatou-se que bebidas como refrigerantes, sucos, café e chás são os alimentos de maior destaque entre os alimentos que apareceram nos filmes analisados do gênero Drama, sendo dessa forma possível estabelecer algum tipo de influência aos seus expectadores ao consumo desses alimentos.

Pirâmide Alimentar Cinematográfica: Gênero Animação

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Por acaso você já se deparou com alguma cena de filme onde a personagem saboreava algum delicioso alimento e teve vontade de comer também?

Será que em filmes há muitas cenas de alimentos ou refeições? Quais os grupos de alimentos são mais frequentes em cena?

O quanto essas cenas podem influenciar no comportamento alimentar?

Foi diante destas indagações que um grupo de alunas resolveu avaliar o quanto as cenas de alimentos estão presentes em diferentes gêneros (animação, comédia e aventura). Cada uma avaliou cinco filmes ganhadores de Oscar, dos últimos anos, nos diferentes gêneros.

Vamos começar então, com o gênero animação!

Os desenhos animados têm sido criados com intuito de fazer com que a publicidade transforme o público infantil em vorazes consumidores.  A televisão além de veiculo de comunicação também é utilizada para o entretenimento, educação e desempenha papel principal na informação e no comportamento alimentar de crianças.

A minha ex-aluna, Tiffany Bustamante Machado avaliou a influência dos filmes na alimentação infantil. Foram analisados os cinco filmes vencedores do Oscar do gênero Animação (Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais, Ratatouille, Wall-E, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3). Em cada cena onde havia a presença de um alimento registrava-se em uma planilha, em que segundo, minuto ou hora da Animação o alimento aparecia, por quanto tempo ficou exposto e a frequência em que reapareceu no decorrer da trama. A partir dos dados obtidos construiu-se uma pirâmide com os alimentos mais visualizados durante os filmes e os que ficaram expostos por mais tempo.

Resultados: os alimentos foram classificados em dez grupos e distribuídos em uma Pirâmide Cinematográfica de acordo com o número de porções. Os dois grupos mais expostos foram o grupo de legumes e verdura e o grupo dos açúcares e doces, que apresentam influência positiva e negativa, respectivamente, na alimentação das crianças. Em suma, houve uma desproporção negativa apresentada entre as porções da Pirâmide Cinematográfica e a Pirâmide Alimentar Brasileira.

Conclusão: os filmes podem influenciar em escolhas alimentares não saudáveis, até mesmo pela a presença de um personagem/mascote. O ideal é que as animações pudessem direcionar ações que apliem o conhecimento da população em relação à formação adequada dos hábitos alimentares infantis e a promoção da saúde.

Sem Sal. Mais Saúde!

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A expressão sem sal nos remete àquilo que não tem graça e que não tem sabor.

É verdade que o sal tem a propriedade de realçar o sabor dos alimentos. Mas, por acaso você já tentou experimentar o verdadeiro sabor de um alimento sem a presença de sal?

Sim, eu sei o quanto deve ser difícil para algumas pessoas criarem o hábito de deixar o saleiro de lado e começar a apreciar os alimentos de maneira mais natural.

Estudos científicos demonstram que a população brasileira consome cerca de 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 5 gramas diárias.

Além do sal de adição outro fator é o consumo exagerado de alimentos industrializados que são fonte de sódio. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF-2008/2009) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média de ingestão de sódio pela população brasileira ultrapassa 3.200 mg/dia, quando o recomendável são 2.200 mg/dia.

Sim, é importante temperar a vida com alimentos que propiciem sabor e prazer. Mas, indiscutivelmente é possível reduzir em até 30% do sal utilizado no preparo dos pratos sem que ele seja, literalmente,  “sem sal”. Essa redução pode ser gradual e mais, acompanhada da introdução de novos temperos como alho, cebola, ervas e especiarias.

O baixo consumo de frutas e hortaliças, o aumento no consumo de alimento industrializados e a realização das refeições realizadas fora de casa são fatores que contribuem para o alto consumo deste nutriente.

Diante deste quadro, intervenções para a reduzir a ingestão de sódio têm sido elaboradas no mundo todo, com o objetivo de reduzir o risco de doenças cardiovasculares. A pressão alta é, atualmente, o principal fator de risco para a mortalidade global, ocasionando cerca de 51% dos casos de acidente vascular cerebral e 45% das doenças isquêmicas do coração.

Uma das ações realizadas pela OMS e pelo Governo do Canadá foi a elaboração de um Report Técnico, publicado em 2010, sobre as “Estratégias de Monitoramento e Avaliação do Consumo de Sódio na População e as Fontes de Sódio na Dieta”.

O Report está recheado de informações referentes ao consumo de sódio na população, a avaliação da dieta, os alimentos fonte de sódio e o conhecimento, atitudes e comportamento das populações referentes à relação entre o consumo de sódio e a saúde.

No Brasil, o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA) assinaram no dia 28 de agosto de 2012, um acordo que reduz a quantidade de sódio em alimentos como caldos, temperos prontos, cereais matinais e margarinas vegetais.  De acordo com o Universo On Line (UOL) tais mudanças levarão a uma redução de  8.788 toneladas de sódio nos alimentos até 2020.

A partir do ano que vem as mudanças começam a valer, sendo que a margarina vegetal é um dos alimentos alvo desta ação. O produto apresentará 19% menos de sódio, e até 2015, o teor máximo de mg de sódio a cada 100 gramas será de 715, contra os 1.660 gramas atuais.

Cada alimento do “menu proposto” terá ao longo dos anos reduções significativas na quantidade de sódio.

Essas ações devem encorajar as pessoas a ter uma vida “sem sal” , mas repleta de sabor em saúde.

Que tal começar hoje? Reduza o consumo de sal de adição, tempere seus alimentos e preparações com ervas e especiarias, experimente o verdadeiro gosto do alimentos e leia os rótulos dos alimentos industrializados. Isso sim são escolhas inteligentes que vão dar mais sabor à sua vida!